terça-feira, 16 de maio de 2017

Não importa o que me aconteça

“Existe uma coisa estranha chamada ‘odiar a sua vida neste mundo’. “Aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12:25). O que isso significa? No mínimo, significa que você não se inquieta com sua vida neste mundo. Em outras palavras, não se importa muito com o que acontece à sua vida neste mundo.

Se os homens falam bem de você, isso não tem grande importância. Se o odeiam, você não se incomoda com isso. Se você possui um monte de coisas, isso não importa tanto; se é pobre, tal condição não o inquieta. Se é perseguido ou as pessoas mentem a seu respeito, você não se importa muito com isso. Se é famoso ou desconhecido, não importa muito. Se está morto, essas coisas simplesmente não importam muito.

No entanto, isto é ainda mais radical. Há algumas escolhas que devemos fazer neste mundo, e não somente experiências passivas. Jesus prosseguiu e disse: “Se alguém me serve, siga-me” (Jo 12:26). Para onde? Ele se dirige ao Getsêmani e à cruz. Ele não está apenas dizendo: “Se as coisas ficarem ruins, não fiquem aflitos, pois já estão mortos”. Ele está dizendo: “Escolham morrer comigo. Decidam odiar a própria vida neste mundo, da mesma maneira como Eu escolhi a cruz”.

Isto é o que Jesus queria dizer quando falou: “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). Ele nos chama a escolher a cruz. As pessoas faziam apenas uma coisa na cruz. Elas morriam na cruz. “Tome a sua cruz” significa como “o grão de trigo” que cai na terra e morre. Escolham a cruz. Odeiem a vida de vocês neste mundo.

Esse é o caminho do verdadeiro amor, da verdadeira vida, da verdadeira adoração. Nosso dever em morrer é exaltar a dignidade de Cristo: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas” (Fp 3:8).

Paulo é o grande exemplo do que significa morrer. “Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a Sua vida se manifeste em nosso corpo” (II Co 4:10) e “pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6:10).

Mas, por quê? Por amor ao comprometimento radical: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebo do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus!” (At 20:24). Penso que ouvi Paulo dizer: “Não importa o que aconteça comigo, se eu puder apenas viver para a glória de Sua graça”.

Você pode falar a palavras de Paulo como as suas próprias palavras? Pode desejar isso? Com fervor, peça a Deus que seja assim mais e mais.”

John Piper,

Em “Uma vida voltada para Deus”, páginas 112 e 113 (trechos)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma parábola de Soren Kierkegaard

O escritor e filósofo dinamarquês, Soren Kierkegaard, gostava de contar histórias e parábolas para fazer os leitores pensarem.

Contou uma sobre dois homens, um rico e um pobre, viajando à noite.

O rico viajava em sua carruagem bem iluminada com uma lanterna dentro. Sentia-se protegido e seguro, isolado da escuridão. Como ele fornecia sua própria luz, não havia escuridão em volta.

O pobre camponês viajava sem lanterna, apenas com a luz das estrelas. Abria-se diante de si uma paisagem vasta e gloriosa. Como não tinha iluminação só sua, era guiado na escuridão pela espetacular exibição de Deus na noite estrelada.


O significado é claro. Podemos prover nossa própria luz, ideias, proteção, ou depender de Deus, de Cristo, a Luz do Mundo, para guiar-nos pela noite escura da vida nesta Terra.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O que estamos fazendo?

Em Celebrating the Wrath of Gog, Jim McGuiggan reconta uma história que ouviu de fonte segura sobre uma conversa que se deu entre um camelo pai e seu filho.

Filho: “Papai, para que servem essas duas corcovas grandes em nossas costas?”.

Pai: “Bem, não há muito do que se alimentar nos vastos desertos que percorremos; por isso, temos como guardar muita comida nessas corcovas”.

A conversação continua a perder de vista, com o pequeno camelo querendo saber a que finalidade serve cada característica incomum de sua anatomia.

Após o pai ter dado detalhadas descrições de como o corpo deles lhes permite sobreviver na areia deserta quente por semanas a fio, o filho tem só uma pergunta restante:

“Com todo esse equipamento, o que estamos fazendo no zoológico de San Diego?”


Boa pergunta. Com tudo o que temos e tudo o que somos como filhos de Deus, o que estamos fazendo onde nos encontramos?

sexta-feira, 3 de março de 2017

Abnegação x Amor

“Abnegação refere-se a mim.
Amor refere-se a você.
Se eu amo você como a mim mesmo, esbanjarei minha vida em você.
Não terei de me lembrar de ser altruísta, porque também estarei pensando em você, amando-o, querendo o melhor para você.
Por outro lado, quando meu objetivo é ser altruísta, fico concentrada em pensamentos sobre mim mesmo: ‘Como estou me saindo? A que eu deveria renunciar?’.
Quando o amor encontra oposição, continua amando.
Quando a abnegação encontra oposição, pode com demasiada facilidade tornar-se hipocrisia ou amargura: ‘Ninguém me aprecia!’.”


Sheila Walsh

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Onde está Deus?

“Onde está Deus, o meu Criador, que de noite faz surgirem cânticos...?” Jó 35:15

Pense em sua própria vida. Talvez você tenha começado como em um sonho sobre aquilo que acreditava que Deus faria com sua vida. Depois, a própria vida se enfiou no meio. Talvez até neste exato momento você esteja ferido, magoado, imaginando onde Deus estaria.

Ele está aqui com você. Nunca o abandonou, mas, a cada curva do caminho, deseja lhe mostrar o que está dentro de seu coração para libertá-lo. Você não é vítima dos caprichos de outras pessoas, mesmo que se sinta assim. Você é um filho amado do Rei, que o está transformando em uma pessoa de beleza cada vez maior conforme aprende a confiar seus sonhos a Ele.

Esse é o caminho da confiança, da liberdade real; é lindo!


Sheila Walsh

domingo, 15 de janeiro de 2017

Uma reflexão sobre a Bíblia

“A Bíblia nos foi dada, em primeiro lugar, simplesmente para nos convidar e nos deixar à vontade no mundo de Deus – palavra e mundo de Deus – e nos familiarizar com o modo pelo qual Deus fala e os modos pelos quais nós respondemos a Ele com nossa vida.

O mundo bíblico decisivamente não é um mundo ideal, do tipo que vemos em propagandas comerciais. O sofrimento, a injustiça e a feiura não são retirados do mundo no qual Deus age, ama e salva. Nada é deixado de lado. Deus trabalha de maneira paciente e profunda, mas frequentemente, de maneira oculta, na confusão da nossa humanidade e da nossa história. Nosso mundo não é organizado e limpo, no qual temos garantia de que tudo estará sob controle. É difícil acostumar-se a isso – há mistério em toda parte. A Bíblia não nos dá um mundo previsível de causa e efeito no qual podemos viver nossa carreira e assegurar nosso futuro. Não é um mundo de sonho, no qual tudo acontece conforme nossas expectativas adolescentes – há dor, pobreza e abuso, pelos quais gritamos indignados: “Você não poderia ter deixado isso acontecer”. Para muitos de nós, são necessários anos e anos para trocar nosso mundo de sonho por este mundo real de graça e misericórdia, sacrifício e amor, liberdade e alegria – o mundo salvo por Deus.

Outra surpresa ainda é que a Bíblia não nos bajula. Não há uma tentativa de nos vender algo com a promessa de tornar a vida mais fácil. A Bíblia não nos oferece segredos, que frequentemente imaginamos, para prosperidade, prazer ou aventuras. A realidade que surge quando lemos a Bíblia tem a ver com o que Deus está fazendo por meio de um amor salvador que nos inclui e a tudo quanto fazemos. Isso é algo totalmente diferente daquilo que imaginou nossa mente atrofiada pelo pecado e culturalmente confusa. Mas nossa leitura da Bíblia não nos dá acesso a um catálogo para encomendas de ídolos que podemos escolher e satisfazer nossa fantasia. A Bíblia começa com Deus trazendo a criação e a nos à existência por Sua Palavra. E continua com Deus entrando em relações pessoais e complexas conosco, ajudando-nos e disciplinando-nos, amando-nos e salvando-nos. Isso não é fuga da realidade, mas o mergulho na própria realidade – uma vida sacrificial, mas, no fim das contas, melhor.

Muitos de nós descobrem que a pergunta mais importante ao fazermos a ler a Bíblia não é ‘O que isso significa?’, mas ‘COMO POSSO VIVER ISSO?’. Lemos para viver nosso próprio ser, não apenas para obter informações que podemos usar para elevar nosso padrão de vida. A leitura bíblica é um meio de ouvir e obedecer a Deus, não para reunir dados religiosos, que podem ser nossos próprios deuses.

Você ouvirá narrativas neste Livro que vão tirá-lo da sua preocupação com você mesmo para a liberdade generosa na qual Deus está realizando a salvação do mundo. Irá passar por palavras e frases que irão despertá-lo para uma beleza e uma esperança que irão conectá-lo com a vida verdadeira.

Esteja preparado para responder ;)" 


Eugene Peterson, 
em trechos da Introdução a Bíblia em Linguagem Contemporânea A Mensagem.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Morrendo para glorificar a Deus

Como você mede o sucesso em sua vida? Como artista, sou tentado a me avaliar em todos os tipos de maneiras erradas:


"Por que não estou vendendo mais discos?"
"Como é que o artista tal está se dando muito melhor do que eu?"
"Por que não fui chamado para participar daquele evento?"

Provavelmente, suas perguntas são diferentes das minhas, mas o coração por trás delas é o mesmo:

"Por que eu não tenho mais seguidores em mídias sociais?"
"Como ele conseguiu a promoção sobre mim?"
"Por que seus filhos são mais bons do que os meus?"
"Por que eu não pude trazer mais pessoas para a fé?"

Em nossa cultura, os números são o rei. É cada vez mais difícil não ver o crescimento como nosso mais seguro sinal de favor de Deus. Como cristãos, as perguntas podem ser ainda mais frustrantes porque nossos motivos são muitas vezes causas nobres, como avançar o reino de Deus e torná-lo famoso no mundo. Como poderia Deus dizer não a esse tipo de ambição?

Bem, Ele diz. O tempo todo. E Sua palavra nos ajuda a começar a dar sentido a Sua decisão de fazê-lo.

Na cena final do Evangelho de João, o Jesus ressurreto está em uma praia, falando com seus discípulos perplexos. Ele se volta para Pedro e pergunta: "Vocês me amam mais do que estes?" (João 21:15). "Sim, Senhor; Jesus faz a mesma pergunta duas vezes mais, e mais duas vezes Jesus chama Pedro para alimentar o povo de Deus.

Então, em um instante, toda a conversa gira quando Jesus puxa a cortina para mostrar a Pedro como sua própria história terminará:

    "Em verdade, em verdade digo que, quando era jovem, Você costumava se vestir como queria e andar como queria, mas quando envelheceres, estenderás suas mãos e outros o vestirão e levarão onde você não quer. (Ele disse para mostrar por que tipo de morte ele estava para glorificar a Deus.) E depois de dizer isso, disse a ele: "Siga-me." (João 21: 18-19)

Imagine a confusão de Pedro. Pedro, você será crucificado. Ele acabou de ser comissionado pelo seu líder para cuidar do povo de Deus, encarregado de ensiná-los, e então esse mesmo líder termina sua acusação com: “E ah, à propósito, você será executado de uma maneira terrivelmente dolorosa”. Jesus não sabe que a crucificação inibiria a capacidade de Pedro de pregar e cuidar da igreja? A conversa é tão contra-intuitiva!




Uma suposição perigosa está no coração do tipo de perplexidade que suspeitamos que Pedro tenha tido (e certamente no coração de nossa própria perplexidade). Sutilmente começamos a assumir que maior é sempre melhor. Sucesso e sofrimento são incompatíveis com a mente humana natural. Pensamos: Se Deus me ama, Ele me abençoará (e meu trabalho, e meu ministério)! A ausência de bênção deve significar a ausência de amor. Esta é a peça central da pregação da prosperidade, mas ela se esconde dentro mesmo do cristão mais doutrinariamente sadio.

Como podemos encontrar alegria quando nosso trabalho para Deus parece infrutífero? Qual é a vara de medição certa para sustentar nossas vidas e ministérios? A Palavra de Deus nos dá pelo menos quatro verdades que nos ajudam a escapar do pensamento errado sobre o verdadeiro sucesso.



1. Confie no Plano de Deus

Quando nossos corações estão cegos por nossa falta de sucesso, a verdade da soberania de Deus sobre todas as coisas ajuda a restaurar a nossa visão. Quando vemos que Deus está por trás do avanço e do esforço de nosso ministério, podemos experimentar um novo e prevalente tipo de alegria e gratidão - mesmo em tristeza, tristeza e perda.

Você já considerou que o seu minucioso ministério poderia ser uma misericórdia de Deus? Será que o seu Pai todo-consciente está poupando-lhe 10.000 dores, retendo algo de você? Uma visão apropriada da soberania benevolente de Deus em nossas vidas reforça nossa fé de que Deus está trabalhando muito além do que podemos ver, para o nosso bem supremo e sua glória final.



2. Sofra para a glória de Deus

A.W. Tozer escreve em The Pursuit of God, "Promover o eu sob o pretexto de promover Cristo é atualmente tão comum, de modo a provocar pouca comunicação." Estou envergonhado de quantas vezes isso é verdade para mim. Muitas vezes tenho mascarado a minha ambição de ver meu nome feito grande, reembalando-o como um desejo de Deus para ser glorificado.

Esta é a ambição egoísta que chuta contra tudo o que é pequeno, normal, ou pouco extraordinário que Deus me chama para fazer. Nossos corações muitas vezes hesitam com o pensamento de qualquer coisa menos do que a fama e o conto de fadas. Se você sente um sentimento exagerado de injustiça quando sua história não está se desenrolando como você pensou, talvez seja hora de explorar se você quer crescimento por amor de Deus, ou para o seu próprio.



3. Fique na sua pista

Depois de profetizar a morte de Pedro, Jesus lhe ordenou: "Siga-me". No entanto, imediatamente depois de lermos isso, Pedro se vira, olha para o apóstolo João e pergunta: "Senhor, que tal este homem?" (João 21:21). Como somos rápidos em invejar a história de outro. Theodore Roosevelt uma vez chamou de comparação "o ladrão da alegria". Infelizmente, muitos de nós deixamos a porta do nosso coração aberta para que o ladrão entre e nos roube de contentamento em Cristo.

Com o comando para segui-lo, Jesus está nos chamando para ocupar-se de nosso próprio negócio, permanecer em nossa própria pista, e fixar nosso olhar nEle, não em nossos vizinhos. Quando fizermos isso, seremos livres para celebrar o sucesso dos outros e encontraremos descanso em qualquer caminho que Deus nos colocar.



4. Morra para você mesmo

Nessa conversa final entre Cristo e Pedro, o autor desliza em uma frase que revela a verdade central da passagem e a chave do mistério: "Isto ele disse para mostrar por que tipo de morte era para glorificar a Deus" (João 21:19).

Para a maioria, não há glória na morte. O mundo zomba do fracassado. Os despojos vão sempre aos toppers da carta, aos CEOs, e ao Fortune 500s. Não é assim para o cristão. A morte é uma das muitas coisas que agora é possuída e explorada pelo nosso Deus. Ele está no negócio de transformar a morte em sua cabeça para produzir coisas boas para seu povo. Quando Cristo foi pendurado no madeiro no Gólgota, seus seguidores  viram a cruz como a terminação de Seu reino, quando era realmente a inauguração.

Qual é a nossa vara de medição para o sucesso? É isto: Siga Jesus onde quer que Ele conduza, mesmo se Ele nos conduz à morte. No final, o mais modesto ministério feito fielmente na obscuridade provará que o Mestre é glorioso.

Minha frase favorita de todos os tempos, fora da Bíblia é uma das orações de Tozer. Eu recomendo a você que você procura viver o que o sucesso aos olhos de Deus realmente é:

    “Sê exaltado sobre a minha reputação. Faça-me ambicioso para Te agradar, mesmo que, como resultado, eu deva cair na obscuridade e meu nome seja esquecido como um sonho.”



Jimmy Needham



Fonte: http://www.desiringgod.org/articles/dying-to-make-god-famous