domingo, 2 de fevereiro de 2020

Multidões X uma vida



Nosso Bom Pastor contou a parábola das cem ovelhas, sobre o pastor cuidadoso, que deixa as noventa e nove ovelhas no aprisco pra ir atrás de uma ovelhinha, apenas uma ovelhinha!

Jesus disse aos seus discípulos que lhe 'era necessário' passar por Samaria. Por quê? Por causa de uma mulher que já teve cinco maridos e que estava dormindo com o marido de outra mulher.

Nossa geração dá tanta ênfase em MULTIDÕES, EM GANHAR VIDAS, mas não se importa com UMA (como se fosse pouca coisa!).

Tanto se fala sobre missões! E pregar o Evangelho a toda criatura não é uma opção, é uma ordem! A questão é o detalhe: toda criatura! O coração que não é um missionário, certamente é um campo missionário, quer no Brasil quer na China!

 Todavia a forma com se trata o assunto, dá a entender que:

O africano importa mais do que seu vizinho,

O desconhecido importa mais do que sua família, 

Os confins da Terra importam mais do que o lugar onde você mora,

A quantidade de pessoas que você pode contar pra todo mundo que ganhou (verdade que a conversão é obra sua?) vale mais do que gastar sua vida pra ajudar pessoas a ficarem firmes, permanecerem em Jesus, não abandonarem esse caminho estreito (porque são tantos os que ouvem as Boas-Novas e aceitam com alegria, mas como Jesus mesmo ensinou na parábola do semeador, a falta de compreensão do que é ter Jesus como Senhor e Salvador e não apenas Salvador, as críticas, perseguições, as preocupações da vida e a fascinação das riquezas tem roubado/matado a semente/planta e muitos não perseveram até o fim)...

Ou seja, o que vale é o que é, aos olhos dos outros, digno de aplausos, que é notório...

Mas e aos olhos de Deus?

Segundo a Bíblia? 

É assim mesmo?

Deus é grandioso, Deus ama as multidões? Sim! Contudo Deus também está nas pequenas coisas e todas elas são importantes!

Ele é o Deus da manjedoura, do insignificante povoado de Nazaré, que chama cada estrela pelo nome, que conta os cabelos da sua e da minha cabeça (se você for careca isso não vai parecer grande coisa), que abençoa as criancinhas enquanto seus discípulos se incomodam com elas.

Ele é o Deus que se esvazia da glória (enquanto ansiamos por ela), cinge os lombos, lava os pés e serve! O Deus que toca o impuro, que compadece do leproso, vai ao encontro do paralítico, do sem rumo, do desprezado.

Ele é o Deus que valoriza uma moeda perdida, uma viúva desamparada, um louco no cemitério, um pai ou uma mãe aflitos por seus filhos problemáticos. Ele ama tanto o pescador quanto o médico, o boiadeiro e o cobrador de impostos, o rei e o mendigo, e de todos faz discípulos, amigos, Filhos, escritores da Santa Bíblia, exemplos!

Ele é o Deus da grande Jerusalém e dos confins da Terra, se importa com o judeu e o gentio, com o escravo e o livre, o são e o doente, homem e mulher, jovem e velho.

Como diz a canção infantil: “Jesus ama cada um, cada um, cada UM, Jesus ama todos. Ama o papai, ama a mamãe, irmão maior, irmão menor. Ama a ti, ama a mim. Jesus ama a todos!”.

Há um poema de autor desconhecido que sempre me faz questionar as motivações do meu coração:

Um pequenino lugar

“Onde meu Senhor, hoje vou trabalhar?
Enquanto cálido e livre fluía meu amor,
Ele me respondeu assim:
‘Vês aquele pequenino lugar?
Cuida dele para Mim.’

‘Oh, não, ali não!’, eu reagi.
‘Ninguém jamais o verá.
Por mais que eu trabalhe ali,
Meu lugar ali não será!’

Quando Sua branda e meiga voz ouvi
Com suave ternura dizer assim:
‘Procura descobrir dentro de ti:
Trabalhas para os outros ou para Mim?
O exemplo da pequenina Nazaré tu tens...
E da Galileia também’.”


E a pergunta que não quer calar é: Onde você irá trabalhar? Com quem se importará? A quem evangelizará? A quem amará? Valorizará UMA preciosa vida ou apenas multidões? Amará sua família e o desconhecido? Amará o seu vizinho, o seu próximo e também o estrangeiro daquela tribo onde o missionário está? Orará e ajudará o irmão que senta do seu lado na igreja (e que às vezes você nem sabe o nome) e também o irmão da igreja perseguida do outro lado do mundo?