quarta-feira, 31 de maio de 2017

Deus vê todo sacrifício secreto

Servindo quando ninguém mais nota

“Obrigado.

Uma palavra simples que desempenha um papel significativo na forma como julgamos e valorizamos nossos relacionamentos. Poderíamos fazê-lo até com mais uma palavra: apreciação.

Minha mãe (muito para meu aborrecimento) me lembrava constantemente (como uma criança de cinco anos) de dizer isso. Obrigado. Quando passei o tempo com a minha sobrinha, ela parecia estar passando pelo mesmo palco da "escola de apreciação". Se ela esquecesse, eu lhe dava uma lembrança gentil. "Giselle, você esqueceu algo?"

No entanto, à medida que envelhecemos e crescem nossos atos de serviço e sacrifício, estamos menos inclinados a exigir um agradecimento. Nós apenas esperamos que as pessoas façam. Quando não o fazem, sentimos falta de apreciação, falta de respeito ou gratidão.

Sem um agradecimento, é fácil para nós começar a questionar aspectos de nossos relacionamentos mais fortes e corrermos para as conclusões mais loucas para justificar nossos sentimentos. Mas com um agradecimento - um verdadeiro sinal de apreciação - nos sentimos valorizados e seguros.

Recentemente, uma amiga e eu decidimos aonde ir e comer, quando me lembrei que algumas semanas atrás, ela havia mencionado que estava com pouca quantidade de dinheiro. Depois de deliberar as opções, decidimos ir ao supermercado, e quando chegamos ao caixa, coloquei as coisas dela junto com as minhas. Ela perguntou o que estava fazendo, mas continuei a pagar todas as coisas.

Quando voltamos à escola, reconheci que ela não havia dito: "Obrigado".

Eu me fiz muitas perguntas.

Ela não reconheceu que paguei? Ela está se aproveitando de mim? Ela está brava comigo por outra coisa? Só quando cheguei em casa reconheci que parte do problema estava comigo. Sim, ela deveria ter dito "Obrigado", mas ao mesmo tempo minhas próprias motivações para pagar, em primeiro lugar, não eram totalmente sinceras. Se eu realmente quisesse ajudá-la (e a ajudara), então, por que não estava resolvido? Porque havia algo mais que queria: queria ser apreciado.

Claro, a apreciação é uma coisa boa. Dizer "obrigado" são boas maneiras. O próprio Jesus ensinou seus discípulos a apreciar a entrega de sacrifícios da viúva pobre (Marcos 12: 41-44). Devemos estar ansiosos para cultivar em nós mesmos um espírito de gratidão e apreciação, e não é errado receber apreciação dos outros (Gálatas 4:15).

Mas há uma grande diferença entre desfrutar a apreciação e a gratidão dos outros e precisar ou desejar ela. À medida que crescemos em boas ações, devemos crescer em nossa apreciação da apreciação do Senhor mais do que de qualquer outra pessoa. "Obrigado" pode tornar-se menos frequente. Mas isso é certo e bom. Antes de termos sido salvos, trabalhávamos para receber uma apreciação constante do homem. Agora devemos aprender a buscar a satisfação que vem de conhecer a Deus (João 5:44).

Deus nos chama para muito mais do que podemos imaginar, e Seu presente é o mais doce: a salvação, um presente que nenhum de nós pode ganhar ou merecer. Nossas vidas devem ser usadas para responder ao Seu amor e misericórdia, não passadas procurando uma resposta dos outros. Devemos constantemente recitar com Paulo: "Estou agora buscando a aprovação do homem ou de Deus? Ou estou tentando agradar o homem? Se ainda estivesse tentando agradar o homem, não seria servo de Cristo "(Gálatas 1:10).


Quando fui salvo, à princípio não reconheci plenamente a extensão do dom da salvação de Deus através da morte de Jesus na cruz. Tendo ido a uma escola anglicana, na época da Páscoa, todos fazíamos cruzes de palmeiras. Eu também era um grande fã da MTV, e meus favoritos da infância Usher, Nelly e 50 Cent usavam cruzes nas correntes. O significado da cruz e o dom da salvação foram diluídos pelas tradições e declarações da moda. Não compreendi completamente quanto amor levou Deus a enviar Seu único Filho; não entendi a magnitude do que O levou abrir o céu (João 3:16).

Meu "obrigado" não era realmente genuíno porque eu realmente não apreciei o sacrifício que Ele fez. Suponho que nenhum de nós nunca irá plenamente compreender. Mas, à medida que crescemos no nosso conhecimento do Senhor, de Sua grandeza e de Seu amor, nossa sensação de importância e significado também devem diminuir.

 “Eis que Deus é ótimo, e não O conhecemos; o número de Seus anos é insondável." (Jó 36:26)

 “Pois pela graça você foi salvo por sua fé. E este não é o seu próprio fazer; É o dom de Deus, não um resultado das obras, para que ninguém possa se vangloriar.” (Efésios 2: 8-9)

“À medida que procuramos crescer no Espírito de Deus e buscar um coração como o Seu (Isaías 55: 6, Efésios 1:17), reconhecemos que somos pequenas engrenagens no mundo de Deus, trabalhando ao lado de outros cristãos para realizar a vontade de Deus (Romanos 12: 1-2; Efésios 2:10).

Embora possa ser difícil, devemos procurar agir em silêncio e sem fanfarra. Jesus chegou até a dizer que não devemos deixar nossa mão esquerda saber o que a nossa mão direita está fazendo (Mateus 6: 3). Receber apreço não é ruim para nossas almas, mas pode ser perigoso. Podemos esquecer que, mesmo em nossas maiores obras, ainda "somos criados indignos; nós apenas fizemos o que era nosso dever" (Lucas 17:10).

Como cristãos, não precisamos dizer às pessoas que as estamos servindo. Apenas sirva-as. Não precisamos dizer a alguém que doamos para a página de angariação de fundos on-line. Apenas faça isso. É um sinal de nossos valores confusos se pensarmos que estamos perdendo algo quando perdemos o louvor do homem. Na verdade, é exatamente o contrário. Jesus nos diz que o louvor do homem é de curta duração e superficial (Mateus 6: 2), mas Deus mesmo recompensará as coisas feitas em segredo (Mateus 6: 4).

Estamos negociando o prazer de uma vã e finita apreciação por uma recompensa celestial. Quando treinamos nossos corações para não esperar o "obrigado", torna-se mais doce. Podemos desfrutar sem precisar disso. Nossa verdadeira recompensa está sendo armazenada no céu.”


Akwasi Appiah, em



terça-feira, 16 de maio de 2017

Não importa o que me aconteça

“Existe uma coisa estranha chamada ‘odiar a sua vida neste mundo’. “Aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12:25). O que isso significa? No mínimo, significa que você não se inquieta com sua vida neste mundo. Em outras palavras, não se importa muito com o que acontece à sua vida neste mundo.

Se os homens falam bem de você, isso não tem grande importância. Se o odeiam, você não se incomoda com isso. Se você possui um monte de coisas, isso não importa tanto; se é pobre, tal condição não o inquieta. Se é perseguido ou as pessoas mentem a seu respeito, você não se importa muito com isso. Se é famoso ou desconhecido, não importa muito. Se está morto, essas coisas simplesmente não importam muito.

No entanto, isto é ainda mais radical. Há algumas escolhas que devemos fazer neste mundo, e não somente experiências passivas. Jesus prosseguiu e disse: “Se alguém me serve, siga-me” (Jo 12:26). Para onde? Ele se dirige ao Getsêmani e à cruz. Ele não está apenas dizendo: “Se as coisas ficarem ruins, não fiquem aflitos, pois já estão mortos”. Ele está dizendo: “Escolham morrer comigo. Decidam odiar a própria vida neste mundo, da mesma maneira como Eu escolhi a cruz”.

Isto é o que Jesus queria dizer quando falou: “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). Ele nos chama a escolher a cruz. As pessoas faziam apenas uma coisa na cruz. Elas morriam na cruz. “Tome a sua cruz” significa como “o grão de trigo” que cai na terra e morre. Escolham a cruz. Odeiem a vida de vocês neste mundo.

Esse é o caminho do verdadeiro amor, da verdadeira vida, da verdadeira adoração. Nosso dever em morrer é exaltar a dignidade de Cristo: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas” (Fp 3:8).

Paulo é o grande exemplo do que significa morrer. “Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a Sua vida se manifeste em nosso corpo” (II Co 4:10) e “pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6:10).

Mas, por quê? Por amor ao comprometimento radical: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebo do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus!” (At 20:24). Penso que ouvi Paulo dizer: “Não importa o que aconteça comigo, se eu puder apenas viver para a glória de Sua graça”.

Você pode falar a palavras de Paulo como as suas próprias palavras? Pode desejar isso? Com fervor, peça a Deus que seja assim mais e mais.”

John Piper,

Em “Uma vida voltada para Deus”, páginas 112 e 113 (trechos)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma parábola de Soren Kierkegaard

O escritor e filósofo dinamarquês, Soren Kierkegaard, gostava de contar histórias e parábolas para fazer os leitores pensarem.

Contou uma sobre dois homens, um rico e um pobre, viajando à noite.

O rico viajava em sua carruagem bem iluminada com uma lanterna dentro. Sentia-se protegido e seguro, isolado da escuridão. Como ele fornecia sua própria luz, não havia escuridão em volta.

O pobre camponês viajava sem lanterna, apenas com a luz das estrelas. Abria-se diante de si uma paisagem vasta e gloriosa. Como não tinha iluminação só sua, era guiado na escuridão pela espetacular exibição de Deus na noite estrelada.


O significado é claro. Podemos prover nossa própria luz, ideias, proteção, ou depender de Deus, de Cristo, a Luz do Mundo, para guiar-nos pela noite escura da vida nesta Terra.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O que estamos fazendo?

Em Celebrating the Wrath of Gog, Jim McGuiggan reconta uma história que ouviu de fonte segura sobre uma conversa que se deu entre um camelo pai e seu filho.

Filho: “Papai, para que servem essas duas corcovas grandes em nossas costas?”.

Pai: “Bem, não há muito do que se alimentar nos vastos desertos que percorremos; por isso, temos como guardar muita comida nessas corcovas”.

A conversação continua a perder de vista, com o pequeno camelo querendo saber a que finalidade serve cada característica incomum de sua anatomia.

Após o pai ter dado detalhadas descrições de como o corpo deles lhes permite sobreviver na areia deserta quente por semanas a fio, o filho tem só uma pergunta restante:

“Com todo esse equipamento, o que estamos fazendo no zoológico de San Diego?”


Boa pergunta. Com tudo o que temos e tudo o que somos como filhos de Deus, o que estamos fazendo onde nos encontramos?

sexta-feira, 3 de março de 2017

Abnegação x Amor

“Abnegação refere-se a mim.
Amor refere-se a você.
Se eu amo você como a mim mesmo, esbanjarei minha vida em você.
Não terei de me lembrar de ser altruísta, porque também estarei pensando em você, amando-o, querendo o melhor para você.
Por outro lado, quando meu objetivo é ser altruísta, fico concentrada em pensamentos sobre mim mesmo: ‘Como estou me saindo? A que eu deveria renunciar?’.
Quando o amor encontra oposição, continua amando.
Quando a abnegação encontra oposição, pode com demasiada facilidade tornar-se hipocrisia ou amargura: ‘Ninguém me aprecia!’.”


Sheila Walsh

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Onde está Deus?

“Onde está Deus, o meu Criador, que de noite faz surgirem cânticos...?” Jó 35:15

Pense em sua própria vida. Talvez você tenha começado como em um sonho sobre aquilo que acreditava que Deus faria com sua vida. Depois, a própria vida se enfiou no meio. Talvez até neste exato momento você esteja ferido, magoado, imaginando onde Deus estaria.

Ele está aqui com você. Nunca o abandonou, mas, a cada curva do caminho, deseja lhe mostrar o que está dentro de seu coração para libertá-lo. Você não é vítima dos caprichos de outras pessoas, mesmo que se sinta assim. Você é um filho amado do Rei, que o está transformando em uma pessoa de beleza cada vez maior conforme aprende a confiar seus sonhos a Ele.

Esse é o caminho da confiança, da liberdade real; é lindo!


Sheila Walsh

domingo, 15 de janeiro de 2017

Uma reflexão sobre a Bíblia

“A Bíblia nos foi dada, em primeiro lugar, simplesmente para nos convidar e nos deixar à vontade no mundo de Deus – palavra e mundo de Deus – e nos familiarizar com o modo pelo qual Deus fala e os modos pelos quais nós respondemos a Ele com nossa vida.

O mundo bíblico decisivamente não é um mundo ideal, do tipo que vemos em propagandas comerciais. O sofrimento, a injustiça e a feiura não são retirados do mundo no qual Deus age, ama e salva. Nada é deixado de lado. Deus trabalha de maneira paciente e profunda, mas frequentemente, de maneira oculta, na confusão da nossa humanidade e da nossa história. Nosso mundo não é organizado e limpo, no qual temos garantia de que tudo estará sob controle. É difícil acostumar-se a isso – há mistério em toda parte. A Bíblia não nos dá um mundo previsível de causa e efeito no qual podemos viver nossa carreira e assegurar nosso futuro. Não é um mundo de sonho, no qual tudo acontece conforme nossas expectativas adolescentes – há dor, pobreza e abuso, pelos quais gritamos indignados: “Você não poderia ter deixado isso acontecer”. Para muitos de nós, são necessários anos e anos para trocar nosso mundo de sonho por este mundo real de graça e misericórdia, sacrifício e amor, liberdade e alegria – o mundo salvo por Deus.

Outra surpresa ainda é que a Bíblia não nos bajula. Não há uma tentativa de nos vender algo com a promessa de tornar a vida mais fácil. A Bíblia não nos oferece segredos, que frequentemente imaginamos, para prosperidade, prazer ou aventuras. A realidade que surge quando lemos a Bíblia tem a ver com o que Deus está fazendo por meio de um amor salvador que nos inclui e a tudo quanto fazemos. Isso é algo totalmente diferente daquilo que imaginou nossa mente atrofiada pelo pecado e culturalmente confusa. Mas nossa leitura da Bíblia não nos dá acesso a um catálogo para encomendas de ídolos que podemos escolher e satisfazer nossa fantasia. A Bíblia começa com Deus trazendo a criação e a nos à existência por Sua Palavra. E continua com Deus entrando em relações pessoais e complexas conosco, ajudando-nos e disciplinando-nos, amando-nos e salvando-nos. Isso não é fuga da realidade, mas o mergulho na própria realidade – uma vida sacrificial, mas, no fim das contas, melhor.

Muitos de nós descobrem que a pergunta mais importante ao fazermos a ler a Bíblia não é ‘O que isso significa?’, mas ‘COMO POSSO VIVER ISSO?’. Lemos para viver nosso próprio ser, não apenas para obter informações que podemos usar para elevar nosso padrão de vida. A leitura bíblica é um meio de ouvir e obedecer a Deus, não para reunir dados religiosos, que podem ser nossos próprios deuses.

Você ouvirá narrativas neste Livro que vão tirá-lo da sua preocupação com você mesmo para a liberdade generosa na qual Deus está realizando a salvação do mundo. Irá passar por palavras e frases que irão despertá-lo para uma beleza e uma esperança que irão conectá-lo com a vida verdadeira.

Esteja preparado para responder ;)" 


Eugene Peterson, 
em trechos da Introdução a Bíblia em Linguagem Contemporânea A Mensagem.